Operação Para Obesidade
Por que uma operação para a obesidade?
Porque se sabe que quando se chega a um determinado ponto na obesidade, não há método, regime ou plano de ação que sirva: somente a cirurgia. É simples. É possível que você tenha experimentado na pele: depois de uma " dieta maravilhosa,"depois de ter-se submetido a diversos tratamentos, hoje tem o mesmo peso do que antes ou uns quilos a mais. Você não é a exceção, 98% dos grandes obesos que se submetem a um regime ou qualquer que seja, têm o mesmo peso ou mais ao cabo de um ano.
Para que uma operação para a obesidade?
A operação para a obesidade tem basicamente duas finalidade: a primeira é diminuir a sensação de fome gástrica que tem o doente obeso e a segunda, produzir uma sensação de plenitude, de "enchimento" com muito pouco alimento. Se a pessoa não sente fome e se sente satisfeita com muito pouca comida, invariavelmente perderá peso, porque o seu corpo utilizará a energia que tem acumulada como gordura e a usará no dia a dia.
Como se faz uma operação para a obesidade?
A operação de obesidade se faz basicamente reduzindo a capacidade do estômago, em outras palavras, fazendo um estômago pequeno, sem ferir nem mutilar o resto do estômago. Isto se obtém cirurgicamente ao formar um pequeno saco com o estômago, seja com corte, seja com grampos de titânio, seja com uma banda gástrica, de forma que o doente tenha ao acabar a operação um estômago à décima parte do estômago normal.
Operações para a obesidade severa - Poderei viver com um estômago tão pequeno?
Sim e isto é importante.Uma pessoa pode viver se come menos calorias do que gasta seu organismo, sempre e quando tenha reservas de gordura como as que tem um obeso. A base das operações é esta: que o doente coma pouco, não tenha fome e consuma as reservas de gordura do seu corpo.
Como é a operação?
Há três tipos básicos de operações:
A primeira chama-se derivação gástrica, que em inglês denominam Bypass Gástrico. Nessa operação, o pequeno estômago que forma o cirurgião se une ao resto do aparelho digestivo mediante uma ponte (derivação ou bypass) do intestino. O resto do estômago continua vivo, com suas artérias, veias e nervos, conectado ao resto do aparelho digestivo. A Segunda chama-se gastroplastia vertical, nesta não se mexe no intestino, senão que , mediante um sistema de grampos de titânio se forma um pequeno estômago na parte vertical do mesmo, e coloca-se um anel ou uma pequena banda na parte inferior para obstruir um pouco a passagem do alimento. Finalmente a terceira chama-se banda gástrica ajustável e consiste na colocação de silastic ao redor da parte mais alta do estômago para formar um mini-estômago. A banda é, na realidade, uma pequena borracha que se infla à vontade, permitindo calibrar o tamanho da cinta e, por conseguinte, o tamanho da passagem do mini-estômago ao resto do aparelho digestivo, por isto chama-se banda gástrica ajustável. Esta operação tem como vantagem poder ser realizada por laparoscopia, que como você sabe é chamada cirurgia de invasão mínima, onde o abdome não é aberto e se pode operar através de incisões muito pequenas, de 5 a 10 milímetros de largura.
Do ponto de vista técnico, há certas variantes de cada técnica e os especialistas em cirurgia da obesidade tentam constantemente melhorar e simplificar suas técnicas. O mais importante é que o cirurgião que realize estas operações tenha uma grande experiência em cirurgia do abdome, em particular cirurgia do estômago e intestino, que tenha experiência na cirurgia dos doentes obesos e tenha experiência no manejo integral da obesidade porque, como veremos mais adiante, o cuidado do doente operado de obesidade vai além da técnica cirúrgica.
Como sei que sou candidato à cirurgia?
Uma pessoa é candidata à cirurgia se tem um excesso de peso de 50 por cento ou mais sobre o peso ideal, ou se tem, de acordo com uma tabela especial que usam alguns especialistas, um Índice de Massa Corporal maior de 35 ou 40, ou se tem como conseqüência de sua obesidade, problemas ou doenças como diabetes, hipertensão, lesões nos ossos e articulações ou outras doenças. Na atualidade se utiliza também o estudo da percentagem de gordura corporal para decidir a operação; uma pessoa sã deve ter de 14 a 23% de gordura no seu corpo, a mulher pode ter entre 17 e 27%.Quando a percentagem de gordura é muito alta, 45, 50 ou 60%, essa gordura no corpo seguramente afetará a saúde. Em todo caso, é conveniente consultar a um especialista de cirurgia de obesidade para saber mais detalhes a respeito.
Que estudos são necessários antes da cirurgia?
Além da história clínica que fará o cirurgião com todo o cuidado, é necessário fazer os estudos pré-operatórios que são: - Biometria hemática completa - Química sanguínea - Perfil de lipídios - Perfil hepático - Perfil tireóideo - proteínas séricas - Insulina no sangue - Tempo de protrombina.
Radiografia do tórax P.A.
Em certas ocasiões, o cirurgião solicitará outros estudos para poder fazer uma avaliação completa. Não se deve esquecer que estas operações não são urgentes e que devem ser tomadas todas as precauções necessárias para oferecer o melhor a cada doente. Depois dos estudos de laboratório, o cardiologista fará uma avaliação cardiovascular e pulmonar, para avaliar o risco cirúrgico e o anestesiologista avaliará as condições do doente para a anestesia.
Que devo fazer antes da operação?
A vida e a alimentação são normais até a noite anterior à cirurgia. No hospital o anestesiologista colocará uma fina agulha em uma veia do seu braço, para administrar soluções, soros e medicamentos.
Quanto tempo tarda a operação?
O tempo operatório oscila entre duas a três horas, dependendo da dificuldade técnica de cada caso.
Haverá muitas dores ao acordar?
Em geral não, afortunadamente há dois grandes avanços neste sentido: o primeiro deve-se aos modernos medicamentos que o anestesiologista utiliza durante a cirurgia, que permite que o paciente durma e desperte sem problemas; o segundo: deve-se aos novos medicamentos analgésicos, que permitem que a dor diminua notavelmente e quase desapareça. Por estas duas razões, a recuperação da anestesia é tranquila e o paciente poderá movimentar-se e caminhar em poucas horas após.
Que acontecerá depois?
Uma série de medidas específicas e modernas lhe darão todo o suporte necessário para este período pós-operatório imediato.
E depois?
Na manhã seguinte, o paciente operado é encaminhado até a sala de raios X, onde se faz uma radiografia com a utilização de contraste com o objetivo de determinar se todas as anastomoses realizadas estão perfeitas.
O que eu vou comer?
Nos primeiros dias o paciente iniciará com líquidos, caldos e sucos em pequenos volumes para que se inicie a adaptação para sua nova situação. Com o passar dos dias dependendo de sua evolução as medidas alimentares serão progressivas, sempre associadas ao seu bem estar.
Quando vou voltar à minha vida normal?
Em geral 3 semanas após o procedimento cirúrgico. No entanto, as restrições alimentares permanecerão até seu total restabelecimento. A partir desta adaptação o paciente retornará a todas as suas atividades. Não se esqueça de que a manutenção da equipe multidisciplinar deverá ser realizada no longo prazo.
Quanto de peso vou perder depois da operação?
Após a colocação da banda, observa-se uma progressiva perda de peso que vai até cerca de dois anos após a cirurgia, quando o peso tende a se estabilizar.
A perda média total é de ± 70 % do excesso de peso, embora sejam freqüentes relatos de perda de 90% a 100%. Nos seis primeiros meses, a perda costuma alcançar ± 40%, com o restante sendo perdido em até dois anos, podendo diminuir um pouco mais até o quarto ano após o procedimento.
Em estudos realizados na Suécia e na Áustria, a média de peso pré-operatório, que era de 134 kg (variando de 106 kg a 181 kg) caiu para 80 kg em dois anos, com perda média de 54 kg. Obviamente, a colaboração do doente, ingerindo alimentos de baixo teor calórico e introduzindo a prática do exercício físico, irão aumentar a quantidade de peso perdido, bem como acelerar ainda mais o tempo de retorno à faixa de peso normal. Por outro lado, se não houver um comprometimento do doente no sentido de seguir as orientações médicas, a perda ponderal pode ser bastante comprometida.
Pacientes submetidas a Cirurgia de Obesidade |
 |
 |
 |
 |
 |
Antes
|
Depois
|
|
Antes
|
Depois |
|
Continuarei perdendo peso?
Não, o organismo tem uma capacidade de adaptação, de forma que, ao se aproximar do peso ideal, geralmente uns 10% acima do peso ideal, se estabelece um equilíbrio e já não diminui.
O que é controle pós-operatório?
O controle pós-operatório é um dos fatores de maior sucesso na cirurgia da obesidade, de forma que vale a pena fazer um comentário a respeito. Se um cirurgião faz um diagnóstico em um paciente com cálculos na vesícula, por exemplo, e realiza o procedimento cirúrgico, é eliminada a doença e o paciente está curado, de forma que se o paciente não retorna ao consultório do seu cirurgião depois da retirada dos pontos, nada lhe acontecerá, apesar de não ser esta a conduta adequada. Mas se o paciente obeso, após o procedimento cirúrgico não apresentar a diminuição de peso adequada, será necessário a avaliação por parte de toda a equipe multidisciplinar para detectar onde está a razão dos resultados desfavoráveis. Neste sentido, a cirurgia da obesidade se parece à cirurgia de transplantes cardíacos, um transplante pode ser exitoso, mas o paciente transplantado deverá ser acompanhado em sua evolução, para prevenir problemas de rejeiçãoe e auxiliar na sua total reabilitação. No caso da cirurgia de Banda Gástrica, o Centro de Obesidade acompanha seus pacientes mensalmente durante o primeiro ano e após, a cada 6 meses para avaliação.
E como será a famosa vida nova?
Como falamos no início, o objetivo do tratamento cirúrgico da obesidade é perder peso e diminuir a gravidade das comorbidades que modificam as perpectivas de uma vida saudável. A cada mes que o paciente diminui o seu excesso de peso, menor será o risco da ocorrência de complicações derivadas da doença obesidade mórbida. A vida nova que o paciente obeso operado enfrentará será o de uma mudança de hábitos. Haverá dietas, aquelas recomendada pela sua nutricionista. A vida nova do doente operado incluirá a atividade física constante. Muitos dos pacientes operados, hoje são atletas, fazem esporte, ginástica, aeróbica, bicicleta, natação e alguns competem com êxito depois de terem se libertado dos quilos em excesso. Finalmente, a vida nova significa uma forma otimista e positiva de ver cada dia, um novo projeto vital, uma nova série de êxitos em cada fase da existência: na vida pessoal, na vida íntima, na vida afetiva, na vida familiar e na vida profissional. A auto-estima do paciente obeso frequentemente encontra-se abalada, e em sua grande maioria depois da cirurgia, essa auto-estima é recuperada, fazendo com que o paciente volte a se amar, respeitar e cuidar a si próprio, e que a cada dia, a prioridade da sua vida seja ela mesma.
E se não posso vir às consultas?
Não é o recomendado, isto estará expresso no termo de consentimento informado que você tomará ciência e assinará antes do procedimento cirúrgico. Busque sempre um serviço na cidade onde voce reside. Sempre poderá manter contato com o cirurgião que lhe operou por telefone, correio, fax, ou o correio eletrônico para lhe comunicar da sua evolução. Muitos pacientes operados, em especial os que vivem no interior do país ou no exterior se comunicam dessa forma e assim podemos estar em contato e fazer um melhor acompanhamento do seu caso.
Terei desnutrição ou descompensação?
Depende do restrito atendimento e adesão por parte do paciente nas orientações estabelecidas.
Poderei Ter filhos?
Sim. Os pacientes que se submetem à cirugia bariátrica poderão engravidar desde que tenham um acompanhamento permanente por todo período gestacional. É aconselhado, nesta caso, a consulta mensal com o seu cirurgião.
Qual a melhor técnica cirúrgica?
Não há uma cirurgia melhor que a outra, as cirurgias que aqui são mostradas são realizadas em todo o mundo. E, acreditadas pela Sociedade Brasileira de Cirugia Barátrica e Metabólica. Todas provaram sua eficácia nas mãos dos melhores cirurgiões de obesidade. Não existe a "operação ideal ", mas o que existe é a conjugação do desejo do paciente e da experiência do cirurgião com a avaliação da equipe multidisciplinar.
Poderei fumar ou tomar bebidas alcóolicas?
Dentro dos problemas que impedem a cirurgia da obesidade está o tabagismo, por uma razão, todos os doentes obesos têm uma grande limitação de sua função respiratória. Por isto, alguns têm a necessidade de dormir com travesseiros para elevar a cabeceira ou até sentados. Muitos sofrem de severa apnéia do sono e necessitam de equipamentos especiais para auxílio respiratório. Em relação ao álcool, o seu consumo não será proibido, mas será extremamente limitado pelo seu alto valor calórico.
Necessitarei orientação nutricional?
Todos os pacientes obesos requerem uma orientação nutricional e o Centro de Obesidade possui uma completa equipe multidisciplinar especializada para o seu atendimento.
Necessitarei orientação psicológica?
Sim, o êxito de um procedimento bariátrico também inclui a orientação psicológica. A experiência indica que a maior parte dos pacientes têm graves problemas psicológicos não como causa da sua obesidade, mas como consequência da mesma. É importante lembrar a necessidade do apoio psicológico da família e dos amigos.
Eu poderia conversar com outros doentes operados?
O Centro de Obesidade disponibiliza para contato somente aqueles que autorizaram previamente, salvaguardando assim a identidade de todos nossos pacientes.
|